Municípios protegem línguas indígenas e tornam co-oficiais
O dado não é preciso mas estima-se que se fala mais de 250 línguas no Brasil, e este patrimônio cultural é praticamente desconhecido. Essas línguas são faladas por etnias indígenas, na maioria, e também por descendentes de imigrantes e descendentes de países africanos. O maior número vem das etnias indígenas e há municípios no Brasil onde é possível escutar os falantes de línguas indígenas nas ruas.
Em São Gabriel da Cachoeira, no noroeste do estado do Amazonas, o município brasileiro foi pioneiro em alçar línguas indígenas ao mesmo status do português. Uma lei municipal tornou o tukano, o baniwa e o nheengatu – derivado do tupi antigo e usado como língua franca na Amazônia durante décadas, línguas co-oficiais da cidade.
Segundo a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), em São Gabriel da Cachoeira são falados 18 idiomas. A Foirn considera o Alto Rio Negro uma das regiões de maior diversidade étnica e linguística da Amazônia. “Hoje quando você chega a São Gabriel da Cachoeira, você pode verificar que todos os indígenas aqui na cidade falam sua língua. Há 15, 20 anos, isso era impossível, porque as pessoas tinham vergonha de falar sua língua materna e preferiam falar o português. Hoje, não. Se você passar 15 minutos andando nas ruas, você vai ouvir quase todas as línguas faladas aqui no município”, diz.
Outros municípios seguiram o exemplo, como Tacuru (MS) que adotou o guarani como língua co-oficial, e Tocantínia (TO) tornou co-oficial a língua xerente.
É preciso haver leis de proteção para as línguas indígenas porque elas carregam uma ancestralidade de cultura que pode se perder. O Brasil possui esse patrimônio linguístico-cultural de idiomas que levaram séculos para se desenvolver, e são fundamentais para a manutenção de outras manifestações culturais, como cantos e mitos. A língua é fundamental para a compreensão da cultura dos povos.
O município de São Gabriel da Cachoeira abriga 23 etnias indígenas, sendo a maioria Tucano, Yanomami e Baniwa, os quais são responsáveis pela produção de artesanatos. Muitas das aldeias proporcionam a abertura de suas comunidades para o acolhimento de turistas, para que possam ter a vivência e a experiência. Na cidade está localizada a Reserva Biológica Estadual Morro dos Seis Lagos, que fica em território indígena. O acesso é por barco, por meio de igarapés e, além da fauna e da flora exuberantes, como o próprio nome já diz os lagos são as atrações principais com cores diferentes por causa dos minérios nas águas.Redação com Agência Brasil








