Dirigido pelo cineasta Bertrand Lira, o documentário Trapiá, um outro Sertão, terá sua primeira exibição pública na III Mostra de Cinema Brasileiro de Santiago de Compostela, cidade da Galícia, Espanha. A mostra acontece no contexto do Festival Bonito Pra Chover de 2026, um espaço criado para trocas culturais e que pretende ser uma homenagem da comunidade brasileira ao país que a acolheu. A sessão será seguida de debate com o diretor e o público presente.
Cada ano, a Mostra de Cinema Brasileiro abre espaço para um cineasta e a diversidade de seu cinema. Este ano, o diretor paraibano Bertrand Lira é o contemplado com dois filmes de longa-metragem: O seu amor de volta (mesmo que ele não queira), de 2019, e Trapiá, um outro Sertão, recém finalizado, um projeto com recursos da Lei Paulo Gustavo de 2023 com operacionalização da Secretaria de Estado e Cultura do Governo da Paraíba. A cidade de Santiago de Compostela, capital política da Galícia, é uma comunidade autônoma da Espanha, situada no noroeste da Península Ibérica.
O Festival Bonito Para Chover é um espaço criado para intercâmbios culturais entre a comunidade brasileira e a galega. Concebe um Brasil de artistas de distintas origens e de várias linguagens. Este ano o festival acontece na segunda semana de setembro com exibições, workshops sobre cinema, música e cultura brasileira na Universidade de Santiago de Compostela e na Universidade da Coruña, além de concertos de música brasileira, roteiro gastronômico, recital de poesia, exposição fotográfica de artistas vindos do Brasil. Os eventos são gratuitos, realizados durante uma semana inteira de atividades.
Segundo o organizador, do festival, Jakson Kaiowá, cearense radicado há 20 anos na Galícia, “o público daqui tem uma profunda admiração pela arte brasileira e assim contaremos com a presença de artistas que fazem justiça ao legado deixado pelos construtores da cultura brasileira.” E enfatiza: “O Festival Bonito Pra Chover é diverso. Concebe o Brasil que não sai na mídia.”
Os dois longas de Bertrand Lira serão exibidos nos dias 09 e 10 deste mês nos Cines Compostela seguidos de debates. Trapiá, um outro Sertão, documentário, 84min, 2026, uma produção da Flor de Cactos Produções Artísticas, da atriz Marcélia Cartaxo, tem como tema uma comunidade particular do Sertão da Paraíba, em transição de uma forma tradicional de vida para a inclusão no mundo globalizado e conectado. Os personagens de Trapiá, como a planta que dá título ao filme, sobrevivem aos reveses da vida: histórias de desamor, abandono, solidão, mas também preservando costumes que engrossam uma cultura rica de significados.
Por sua vez, O seu amor de volta (mesmo que ele não queira), realizado em 2019, é fruto do edital do Edital Prêmio Walfredo Rodriguez de Produção Audiovisual 2014/2015, uma parceria da Funjope/Prefeitura Municipal de João Pessoa – e Governo Federal (Agência Nacional de Cinema – ANCINE/Secretaria do Audiovisual – SAV). O filme teve uma excelente circulação nos espaços alternativos de exibição como mostras e festivais, com elogios da crítica especializada e prêmios.
Na sua avant première se deu no 13º Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro, e mesmo fora de competição, recebeu o Prêmio da Crítica. Na 26ª edição do Festival de Cinema de Vitória-ES, em 2019, foi reconhecido como Melhor Direção, Melhor Roteiro, Melhor Atriz (Marcélia Cartaxo) e Prêmio Especial do júri de Interpretação (Williams Muniz). No 6º Fecime – Festival Cinematográfico de Mérida, México, ganhou o Prêmio de Melhor Documentário de longa-metragem. No 14º Festival Audiovisual Comunicurtas de Campina Grande, levou Prêmio de Melhor Direção de Longa-metragem. E, finalmente, foi agraciado com o Prêmio do Júri Popular do Festicinejp – Festival Internacional de Cinema de João Pessoa em 2022.
Para Bertrand Lira, “é uma honra ser o cineasta da vez na III Mostra de Cinema Brasileiro de Santiago, pela chance de estrear meu novo filme numa cidade tão rica de história e cultura, além dos fortes laços com o Brasil, em particular, pela presença galega nos sertões nordestinos que preservam ainda em seus rincões muito da língua galega.” O cineasta acrescenta que “toda janela para o nosso cinema é preciosa. O importante é mostrar nossa produção aqui e alhures, e o melhor disso é podermos trocar ideias com os públicos mais diversos.”
Na edição deste ano do Festival Bonito pra Chover, entre outras atrações, o festival apresenta o potente Recital Poético de Elisa Lucinda, poeta negra, escritora, atriz e jornalista capixaba, reconhecida nacionalmente pela força de sua voz. “Trazemos artistas de distintas origens e de várias linguagens. Dançaremos, cantaremos, declamaremos com diversos sotaques. Teremos oportunidade de conhecer pratos variados e também, aprender a cozinhar com artistas. Assim, o Festival Bonito Pra Chover busca o intercâmbio, as aprendizagens e oferecer um pouco mais do calor brasileiro no aconchego da Galícia”, promete Jakson Kaiowá.
