Um meio de hospedagem que divide opiniões no setor turístico – a modalidade Airbnb continua gerando discussões. Por um lado especialistas afirmam que contribui para a inflação dos imóveis e inviabiliza a moradia dos locais e, por outro, os defensores veem vantagens ao proporcionar giro da economia com a participação daqueles que não podem pagar hotéis e renda extra para as famílias. Fato é que a modalidade existe e vem alcançando índices econômicos de peso.
Pela primeira vez a Fundação Getúlio Vargas mediu o impacto econômico do Airbnb – atividade de aluguel de temporada através de plataforma – uma alternativa aos tradicionais meios de hospedagens como hotéis e pousadas. O estudo “Airbnb: Impactos e Benefícios Econômicos no Brasil” da FGV teve metodologia de insumo-produto, que mede como um gasto em um setor puxa outros setores da economia.
Na prática, a FGV soma impactos diretos (gastos efetivos de hóspedes e de anfitriões) e impactos indiretos, que são as compras geradas na cadeia produtiva por causa desses gastos, usando matrizes específicas por estado e por cidade para refletir as particularidades locais. Para analisar rendimentos, a FGV combinou dados do Airbnb e da PNAD Contínua/IBGE, fez a conversão de moeda e manteve as séries em valores nominais em reais, sem correção por inflação.
Em João Pessoa a atividade do Airbnb movimentou mais de R$ 1,6 bilhão na economia em 2025. Além do valor total movimentado, o estudo calculou o reflexo dos gastos na economia local. No ano passado a atividade do Airbnb contribuiu com mais de R$ 906 milhões para o PIB, gerou quase R$ 475 milhões em renda e mais de R$ 143 milhões em tributos, além de sustentar quase 10 mil postos de trabalho ao longo do ano.
Dados do Airbnb mostram o papel dos anfitriões na distribuição do fluxo de visitantes pela cidade. Entre os que fizeram recomendações a seus hóspedes, mais de 90% indicaram lugares dentro do próprio bairro de seus anúncios, e metade sugeriu áreas ainda pouco conhecidas pelos turistas, ajudando a levar visitantes para além dos roteiros mais concorridos.
Fiamma Zarife, Diretora Geral do Airbnb para a América do Sul, afirmou que “João Pessoa mostra como as viagens podem gerar oportunidades que permanecem na própria cidade. Os gastos dos visitantes chegam aos pequenos negócios, movimentam a economia local e ajudam a gerar renda para moradores de diferentes regiões da capital”.
Em João Pessoa, a maioria dos anfitriões recebe hóspedes como fonte de renda complementar: quase 75% afirmam que essa não é sua ocupação principal. Quase metade afirma que receber hóspedes no Airbnb é uma forma de obter renda extra, e quase 45% usam esses recursos para ajudar a fechar as contas. Mais de 60% afirmam que os utilizaram para cobrir custos como alimentação, e mais da metade diz que a renda os ajudou a continuar morando em suas casas no último ano.
Todos os dados neste comunicado de imprensa foram analisados a partir de dados internos do Airbnb e referentes ao ano de 2025. Criada em 1944, a FGV é uma entidade sem fins lucrativos que apresenta uma extensa folha de serviços prestados à comunidade técnico-científica-empresarial e à sociedade.
