A necessidade de ampliar a demanda de consumo por etanol e fortalecer a comunicação do setor com a sociedade foi um dos temas debatidos durante a 68ª reunião da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), realizada em Sertãozinho (SP). O encontro, realizado, excepcionalmente, de forma itinerante durante a Fenasucro & Agrocana, foi conduzido pelo presidente da Câmara, Pedro Campos Neto, que destacou a importância de uma mobilização coordenada para estimular o consumo do biocombustível.
Para Pedro Campos Neto, o crescimento da oferta de etanol, especialmente com a expansão do etanol de milho, exige que o setor encontre novas formas de ampliar o consumo. “A oferta de etanol de milho vai mudar o comportamento da nossa cadeia. Nós já estamos aí com 10 bilhões de litros. E, se a gente não tiver um novo impulsionamento de demanda, a visão que nós temos é que o mercado vai se reorganizar”, alertou. Segundo ele, iniciativas como SAF e biobunker são importantes e precisam avançar, mas possuem um prazo de desenvolvimento e adoção que impede que sejam, isoladamente, uma resposta imediata ao desafio da demanda. Nesse cenário, Pedro defendeu que o setor volte sua atenção para uma oportunidade que já está disponível: a frota flex brasileira.
A reunião contou ainda com a participação de Mário Campos Filho, Presidente Executivo SIAMIG/Bioenergia Brasil, que reforçou a necessidade de uma mudança de estratégia diante do novo cenário do mercado. Para ele, o setor vive um momento em que o aumento da oferta torna urgente a busca por novos consumidores. “A realidade atual está transformando a forma da gente pensar o etanol”, afirmou Mário, ao destacar que o setor precisa aproveitar o potencial de uma frota flex que representa uma parcela expressiva dos veículos brasileiros.
Segundo ele, o desafio é transformar espaço potencial em consumo efetivo. “A boa notícia é que nós temos um mercado para explorar”, destacou, defendendo uma mobilização para ocupar o espaço existente no mercado de combustíveis. “Acho que a solução está aí: é fazer com que a população consuma mais etanol. Se você pegar hoje, a frota flex representa 75%, 80% dos nossos veículos e, desses veículos, a gente tem um consumo só de cerca de 35% de etanol”, destacou.
João Rosa, da Pecege, também participou da reunião e lembrou que a proposta é aproveitar diferentes espaços de comunicação para aproximar o etanol do cotidiano do consumidor, incluindo campanhas publicitárias, mídias digitais, eventos esportivos e outros canais de grande alcance. Ele citou a campanha “Vai de Etanol”, da Única, como uma iniciativa positiva, mas defendeu a união de outras instituições para ampliar e impulsionar esse tipo de ação. “Não adianta a gente só reclamar de questões de preço de mercado, sendo que não tem uma mobilização”, pontuou.
Um projeto realizado pela Stellantis em 2025, que combinou informação sobre as vantagens do etanol com incentivo econômico, aumentou significativamente o consumo. Outro exemplo apresentado foi uma ação promocional realizada em Belo Horizonte, na qual o preço do etanol caiu para R$ 2,99 em postos participantes.
A discussão também apontou para iniciativas mais simples e imediatas, como estimular frotas corporativas e públicas a utilizarem etanol sempre que os veículos forem flex. A proposta defendida durante o encontro inclui, inclusive, a construção de ações junto aos governos estaduais para estimular o abastecimento de suas frotas com o biocombustível. Pedro Campos Neto ressaltou que a mudança também precisa começar dentro do próprio setor. “Tem que partir da gente. Não tem o carro ideal que você queira ainda. Vamos nos adaptar ao que existe hoje e tentar usar um carro, tentar consumir etanol”, afirmou.
Ao final, ficou reforçada a necessidade de unir entidades, empresas e instituições em torno de uma estratégia comum de comunicação e estímulo ao consumo do etanol. A próxima reunião da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool está prevista para o dia 3 de novembro, às 14h, em Brasília.
