O gastroenterologista paraibano Gláucio Nóbrega, integrante da Comissão de Inteligência Artificial em Medicina do Conselho Federal de Medicina (CFM) e um dos especialistas envolvidos na construção da Resolução nº 2.454/2026, considerada o primeiro marco regulatório brasileiro dedicado exclusivamente ao uso da IA na medicina, o especialista lançou o livro “Inteligência Artificial para Gastroenterologistas – Dos Conceitos à Aplicação Clínica”.
A obra reúne alguns dos principais especialistas que apresentam aplicações práticas da inteligência artificial na gastroenterologia e demonstram como essas ferramentas já contribuem para diagnósticos, atualização científica e tomada de decisões clínicas mais precisas.
A publicação está entre as primeiras obras brasileiras dedicadas exclusivamente à aplicação da inteligência artificial na gastroenterologia, reunindo diferentes especialidades para abordar o tema sob uma perspectiva clínica, científica e ética.
“A gastroenterologia está, assim como as demais especialidades médicas, entrando em uma nova era. Primeiro, é importante entender que a IA não veio para substituir o conhecimento médico, mas, principalmente, para ampliar nossa capacidade de análise, acelerar a atualização científica e apoiar decisões clínicas cada vez mais precisas em favor dos pacientes. Este livro nasceu justamente da necessidade de preparar e orientar os especialistas para essa transformação que já está em curso”, afirma Gláucio Nóbrega.
Especialista em Inteligência Artificial pela Universidade Mackenzie de São Paulo, Gestor em Saúde, Membro Titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia e fellow da American Gastroenterological Association (AGA), uma das mais importantes associações de gastroenterologia do mundo, mestre em Gastroenterologia pela Universidade Federal de Pernambuco e conselheiro do CRM-PB, Gláucio Nóbrega vem construindo nos últimos anos uma trajetória marcada pela aproximação entre medicina, tecnologia e inovação. Além de integrar a comissão nacional responsável pelas discussões regulatórias sobre IA na medicina, participou recentemente como moderador do I Fórum de Inteligência Artificial do Conselho Federal de Medicina, realizado em Brasília, conduzindo debates sobre letramento em IA e o futuro do trabalho na saúde.
Os capítulos do livro abordam temas como doenças do esôfago, patologias gástricas, intestino delgado, doenças colorretais, hepatologia, pâncreas, cirurgia robótica, imaginologia médica, telemedicina, atualização científica assistida por inteligência artificial, além de questões relacionadas à ética, segurança e regulação.
Um dos diferenciais da publicação é a participação de especialistas reconhecidos nacional e internacionalmente em diferentes áreas da medicina do aparelho digestivo. Entre os colaboradores estão nomes de grande relevância na medicina brasileira, de instituições de ensino superior respeitadas como a USP, Unicamp e a UFPB, além de conselheiros do Conselho Federal de Medicina, reforçando o caráter multidisciplinar da publicação.

Inteligência aumentada – Um dos conceitos centrais defendidos ao longo da publicação é o de “inteligência aumentada”, abordagem segundo a qual a tecnologia atua como instrumento de ampliação das capacidades humanas, sem substituir o julgamento clínico ou a autonomia médica. Na visão dos autores, a inteligência artificial deve funcionar como ferramenta de apoio à tomada de decisão, preservando a centralidade da relação médico-paciente e a responsabilidade profissional do médico.
Segundo o médico Gláucio Nóbrega, a máquina processa; o humano decide: “Esse talvez seja o princípio mais importante quando falamos de inteligência artificial na medicina. A tecnologia amplia capacidades, mas a decisão clínica continua sendo uma responsabilidade essencialmente humana.”
“Em vez de apresentar apenas novas ferramentas, o livro busca mostrar como a inteligência artificial pode ser incorporada à prática médica de forma responsável e baseada em evidências. Estamos falando de uma gastroenterologia potencializada pela tecnologia, capaz de integrar experiência clínica, conhecimento científico e análise de dados para oferecer diagnósticos mais precisos e melhores resultados para os pacientes”, destaca o especialista.
Outro aspecto destacado por ele é que a IA na saúde precisa caminhar ao lado de princípios éticos, segurança de dados e capacitação profissional. E ressalta que competências essencialmente humanas tornam-se ainda mais relevantes. Comunicação empática, raciocínio clínico contextualizado, julgamento ético e acompanhamento individualizado dos pacientes são apontados pelos autores como atributos que permanecem insubstituíveis na prática médica.
