Especialista em jornalismo alerta sobre os cuidados e a credibilidade

Em que local da cidade de João Pessoa existe essa imagem? Em qual praia temos um farol assim e estes prédios, na beira mar? Em nenhum lugar. Esta “fotografia” é uma imagem gerada por IA – Inteligência Artificial e é totalmente falsa. Em João Pessoa, a despeito do letreiro da “foto” não existe esse lugar. Esta imagem está circulando na internet e, para aqueles que não conhecem a cidade de João Pessoa, pode parecer verdadeira.

Não é a primeira vez que circulam imagens de praias na Paraíba mostrando uma cidade que não existe. Essa é uma realidade que nos deparamos com a sofisticação da tecnologia. A Inteligência Artificial proporciona avanços inacreditáveis em diversas áreas, entre elas a medicina, internet das coisas, otimização, automatização. Mas também pode ser usada para fins não tão nobres e, muitas vezes, desnecessários.

Por que usar numa divulgação uma imagem falsa se temos, tão acessível, imagens verdadeiras? Sites de divulgação e de conteúdos jornalísticos podem utilizar imagens geradas por IA?

O professor do curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo da Universidade Federal da Paraíba, Carmélio Reynaldo, que formou gerações de jornalistas profissionais, alerta sobre alguns usos da Inteligência Artificial, na área, especialmente para a produção de texto. “Se os jornalistas não tiverem cuidado, vão eles mesmos terceirizarem o seu trabalho”, afirmou.

Sobre o uso de imagens criadas pela IA Carmélio disse: ““A credibilidade do jornalista é resultado de ele ser fiel aos fatos, e uma imagem tem que  retratar aquilo que existe” .

 Ele ressaltou que a IA pode ser utilizada pelo jornalismo para restaurar uma imagem, um áudio, mas isso deve ser informado no texto da reportagem, e publicada a imagem original. (Texto:Rosa AguiarFoto: Falsa IA)