“…importante mesmo é harmonizar o vinho com o momento” diz especialista do Wine Ville Fest
Manu Vilhena é advogada. Quando foi morar em São Paulo decidiu ocupar o tempo livre estudando sobre a bebida que amava. Comprou livros, pesquisou e depois viajou para o Chile e para Mendonza, na Argentina, regiões produtoras famosas. A partir daí decidiu se profissionalizar se tornando sommelière de vinhos pelo Senac SP “Sempre fui apreciadora e uma grande curiosa sobre o assunto. Aos poucos essa curiosidade foi crescendo e virou negócio. Em 2017 abri meu próprio restaurante e em 2019, quando pareceu que tudo estava dando errado, percebi que, na verdade, era só o começo. Mergulhei de cabeça no meu amor pelo vinho, me reinventei e, hoje, me lanço nesse novo desafio de fazer a curadoria dos rótulos do Ville Wine Fest.”
– Até poucas décadas o nordeste não bebia vinho. Diziam que era quente. Como isso mudou?
. Felizmente, o consumo de vinho aumentou no Brasil inteiro, principalmente na época da pandemia. Comparando com o ano de 2019, o consumo per capita cresceu 30% e isso é muito significativo. Acho que o nordestino entendeu que temos vinhos que se adequam ao nosso clima quente. Brancos, rosès e espumantes são super refrescantes e propícios ao nosso calor e alguns, inclusive, foram produzidos para serem tomados com gelo. Além disso, tivemos uma grande participação de empresas e profissionais da área que ajudaram a “desmistificar” o vinho, mostrando que ele pode ser mais acessível e menos burocrático. Como eu costumo dizer: importante mesmo é harmonizar o vinho com o momento.
– Outra mudança que vem se observando é a qualidade dos vinhos nacionais. Queria que voce falasse sobre isso.
Os vinhos brasileiros vem crescendo exponencialmente em sua qualidade e muito disso em razão de investimento em pesquisa e tecnologia. Os nossos produtores estão focando na produção de vinhos de alta qualidade e tem explorado bastante a variedade de uvas que melhor se adaptam às condições do nosso terroir. Nossos rótulos estão recebendo o reconhecimento e, principalmente, premiações em concursos internacionais. As nossas vinícolas estão investindo no enoturismo e isso tudo tem fomentado o nosso mercado. O que é maravilhoso, visto que até pouco tempo nós mesmos tínhamos um certo preconceito com vinhos brasileiros.


– Fale um pouco sobre o Wine Ville Fest, esse festival de vinhos de tantos países que acontece dia 25 de outubro no @villedesplants.
. O Ville des Plants já tem uma vocação natural para receber e promover encontros de pessoas de todos os lugares do Brasil. O pessoense gosta muito de trazer seus amigos e visitantes aqui por ter essa atmosfera aconchegante e receptiva. Então o Ville Wine Fest nasce com a missão de ser uma festa de celebração aos encontros e nada melhor do que o vinho para brindar isso tudo.
– Qual foi o seu foco como sommeliére do evento?
– Sem dúvida alguma, a minha primeira e principal preocupação foi com a qualidade dos rótulos. Além disso, e não menos importante, me preocupei em escolher vinhos das mais variadas regiões produtoras e de diferentes uvas. Muitas vezes, o consumidor fica inseguro na hora de escolher um rótulo diferente do que ele está habituado ou de provar uma nova uva. A minha intenção é que, no festival, o participante tenha essa liberdade de provar o novo, conhecer novas regiões produtoras e novas uvas sem medo.
– Estamos todos curiosos sobre os rótulos que os participantes do Wine Ville irão degustar…
. São mais de 50 rótulos das mais variadas uvas e países produtores. Vou destacar os espumantes brasileiros Zannoto Brut, feito da uva Chardonnay e que recebeu premiações internacionais, e o Cordelier Nature produzido pelo método tradicional, onde a segunda fermentação acontece dentro da própria garrafa. Entre os brancos, teremos o Milani, um Pinot Grigio italiano da região do Veneto, super leve e fresco; e o Sexy Fish Blanc des Blancs, um argentino de Mendoza produzido com as uvas Chardonnay e Torrontés. Nos rosès, o José Piteira, um vinho português da região do Alentejo, um blend das uvas Aragonez e Moreto e o Mirabueno Bobal, um vinho orgânico espanhol da região de Castilla Y León. Entre os tintos, destaque para o Yarden Hermon, um vinho israelense da região da Galiléia, o Astronauta Fiel Blend, um português da região do Douro, produzido com vinhas velhas, o Gazon Tannat de Corte, um urugaio da vinícola Garzon e o Lagarde Blend de Tintas, um argentino de Mendoza, produzido com um blend de Syrah, Malbec e Petit Verdot. (Entrevista concedida a Rosa Aguiar)







