Achado parou obra da Chesf que apoiou as pesquisas

Para quem gosta de história e arqueologia visitar o Museu Arqueológico Iremar Flor de Sousa, em Pilões, no brejo paraibano, vale muito a pena. Com uma excelente infraestrutura composta por área de exposição, laboratório, auditório e reserva técnica, o Museu Arqueológico reúne 56 conjuntos funerários associados à tradição dos indígenas Aratu e, ainda, uma coleção de utensílios associados aos tupi-guarani.

Toda essa riqueza foi descoberta em 2009 durante escavações para a construção de uma subestação de energia em Pilões pela Eletrobrás Chesf. O material encontrado do cemitério indígena e outros objetos utilitários seguiram para o Laboratório de Arqueologia da Universidade Federal de Pernambuco, onde passaram por curadoria do arqueólogo Marcos Albuquerque e restauração. Em 2023 o acervo retorna para a Paraíba para formar o Museu Arqueológico e, desde que foi inaugurado, tem atraído pesquisadores e turistas.

O diretor do Museu, José Geraldo, ressalta a importância do acervo: “Quando os achados foram encontrados, a obra da Chesf foi paralisada e chamados os arqueólogos que constataram que o material datava de cerca de 820 anos atrás, ou seja, muito antes dos portugueses aqui chegarem”. As peças mais impressionantes são as urnas funerárias de cerâmica onde os indígenas aratus eram sepultados em posição fetal e, possivelmente, depois,  retirados para outro local.

O acervo tem ainda utensílios como adornos e machados, pratos. De humanos, foram encontrados apenas dois dentes. Todo o material é fonte de pesquisas e está sob a curadoria do arqueólogo Juvandi de Sousa Santos, do Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da Universidade Estadual da Paraíba. O diretor do Museu Arqueológico de Pilões  informou que, no total, foram achadas 235 peças e existe um projeto de ampliar o espaço. “Existe muito mais objetos para serem encontrados e os próprios arqueólogos acreditam nisso. Nosso desafio é ampliar as visitas ao Museu para o turismo pedagógico. Que seja o ponto de partida da nossa história, que essas descobertas sigam para os livros e para as escolas, tornando a arqueologia mais perto de todos”.

(A Expedição: Jornalistas na Estrada –  formada por Ana Célia Macedo, Alessandra Lontra, Rosa Aguiar, Ruth Avelino e Teresa Duarte viajou a convite do Fórum de Turismo do Brejo).

Serviço: Museu Arqueológico de Pilões

Rua: Cônego Teodomiro, 215 Centro – Pilões

Não abre as segundas e a entrada é gratuita

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