A Associação de Turismo Rural e Cultural de Areia fala sobre os projetos para 2023
Fundada em 2012, a Atura reúne 50 empresários entre proprietários de hotéis, pousadas, engenhos produtores de cachaça, restaurantes, bares e diversos tipos de empreendimentos da região. A Atura vem contribuído significativamente para o desenvolvimento de Areia com projetos audaciosos e, em 2023, pretende avançar ainda mais, como afirma o presidente, Leonaldo Andrade, que é professor da Universidade Federal da Paraíba na área de Ecologia e proprietário da pousada Villa Real, uma das pioneiras no conceito de pousada boutique, que oferece experiências únicas que incluem design, arte e mobiliário diferenciado.
– Quais os principais projetos da Atura, já em andamento?
. A Atura realiza já há anos o Festival Gastronômico, o Festival das Flôres, o São João da Atura, o Natal, a Atura vive de projetos. E, nesse momento, temos quatro projetos especiais, em andamento. O projeto da Estrada das Bouganvilles, muito divulgado, e que já está bastante adiantado. Nós estamos, na Estrada das Bouganvilles, fazendo não só com o intuito de formar uma estrada florida. Nós plantamos, este ano, cerca de 4 mil mudas de bouganville ao longo da PB 079, entre os municípios de Areia e Remígio, e, ano passado, três mil mudas. Já são sete mil mudas plantadas e, agora, em 2023, vamos plantar mais 4 mil mudas É claro que esteticamente que é muito agradável as pessoas serem recebidas por uma estrada florida, e é um projeto que já tem sido já copiado pelos municípios vizinhos, o que nos agrada bastante. Mas, além disso, nós queremos estimular a cadeia produtiva das floriculturas da cidade. Quem está produzindo as mudas são os produtores locais de duas comunidades, que produzem as mudas e nós compramos. Tem um alcance social também. Já fizemos vários dias “D” de plantação, com o envolvimento das pessoas, da comunidade, de escolas, apoio dos bombeiros. E já temos trechos floridos, muito bonito, e outros que nascerão em breve. A bouganville floresce quase o ano todo.
– E onde tem flores, tem abelha. Tem um projeto com abelhas para criar uma rota também?
. Sim, outro projeto é a produção de mel em Areia com as abelhas sem ferrão, abelhas nativas do Brasil, as meliponas, que foram quase dizimadas pela devastação da mata nativa e a entrada de abelhas africanizadas. Procurei a Universidade Federal e queremos estimular essas inciativas para a produção do mel de abelhas sem ferrão. E criar a Rota do Mel, para que esse mel seja incluído na gastronomia do brejo. Todos os projetos que a Atura pensa leva em conta o lado econômico, o lado social e o lado ambiental, pois tudo hoje tem que associar com a sustentabilidade. As abelhas são polinizadoras, isso é muito importante pelo papel delas na natureza. Esse projeto é muito bonito e estamos apostando nisso. No Centro de Ciências Agrárias da UFPB a professora do Departamento de Zootecnia, Adriana Evangelista, é nossa parceira, e ela é especialista em abelhas sem ferrão. Já existem produtores de mel em Areia, estamos mapeando, e queremos aumentar, estimular, criar marcas, rótulos, incluir o mel na gastronomia local e na cadeia turística.

– Areia é a capital da cachaça e muitos engenhos recebem turistas para esse tipo de turismo. E eu soube que vem ai uma nova rota para aumentar ainda mais o interesse turístico da região…
. Estamos nos preparando para a criação da Rota dos Cafés, um projeto lindo e apaixonante, e já temos uma cadeia de pessoas interessadas. Até os anos 1930 Areia foi o município que mais produziu café na Paraíba. Estaremos resgatando a produção de café, mas não mais com o cunho industrial, e, sim, como café gourmet, com o terroir de cada produtor, cafés com o nome desses produtores, feitos para serem degustados. Nossa parceria é com a Universidade Federal da Paraíba, campus II, através do Centro de Ciências Agrárias. Temos o apoio do diretor do Centro de Ciências Agrárias professor Manuel Bandeira e o professor Guilherme Podestá, especialista que está desenvolvendo as mudas e as espécies. Já temos 20 mil mudas de cafés. Estamos montando o projeto e já temos uma lista com mais de trinta pequenos produtores interessados. A meta é produzir cafés gourmets e as mudas já estão sendo produzidas pela Universidade Federal. Em abril ou maio, estação das chuvas, já deve começar a plantação em algumas propriedades. Algumas espécies estão sendo testadas e dando resultado excelente. Será aquele café para degustar com o diferencial de cada produtor.
– Este ano teve a Casa da Mamãe Noel. Vai ser uma atividade para o Natal?
. A Mamãe Noel que é um personagem criado por Leda Maria, nossa associada, e a Atura dá todo apoio. O projeto não é só pontual mas estará presente todo o ano, com produção de artesanato e também de cultura. Este ano a casa da Mamãe Noel também atuou como parceira da campanha Natal sem Fome arrecadando alimentos .
– E teremos um projeto ousado da Atura e que pretende modificar a cidade de Areia. Qual é?
. O mais ousado é o projeto que pretende ser pioneiro na Paraíba – de limpeza de fios, dos postes, e que demanda muito trabalho, que é acabar com todos aqueles cabos na cidade. Estamos construindo os caminhos. Areia é um diamante que precisa ser polido. Estive em diversas cidades antigas e históricas de Minas Gerais e vi algumas experiências sobre isso bastante interessantes. Podemos ser a primeira cidade a ter cabiamento subterrâneo. Quando abrimos a pousada Vila Real, com a proposta de resgatar um prédio antigo, manter o piso hidráulico, eu recebi muitas criticas. Hoje sou elogiado e copiado. Uma alça alternativa que retire o trânsito dos carros pesados da cidade também está na lista de projetos porque ajudaria bastante, para desafogar o trânsito de dentro da cidade. (RosaAguiar)







