O autor do abaixo-assinado é o jornalista Rubem Nóbrega
Jornalistas, intelectuais e artistas se mobilizam nas redes sociais para solicitar à Prefeitura Municipal da cidade de Bananeiras a restauração e o funcionamento do Cine Excelsior, sala de cinema histórica que animou e fez sonhar os habitantes daquela cidade do Brejo paraibano. Um abaixo-assinado eletrônico com quase mil assinaturas será protocolado na sede da prefeitura e, simbolicamente, entregue durante o projeto Cinema no Cenário, que acontece a partir das 19h, no sábado dia 15, após a sessão do filme “Cervejas no escuro”, no Cenário Hostel & Boteco.
O cineasta Bertrand Lira está animado com a iniciativa “Com a reabertura de uma sala de cinema, uma cidade ganha, duplamente, não só um equipamento cultural que vai oferecer uma ferramenta de entretenimento e formação de sua população, como também revitalização de um patrimônio arquitetônico que educará sobre parte da história da cidade”. E acrescenta: “Muitas salas de cinema estão fechadas em diversas cidades do interior da Paraíba e é necessário reabri-las para cumprir suas funções originais: entreter e formar.
Autor do abaixo-assinado, jornalista Rubem Nóbrega, natural de Bananeiras, conta que o Cine Excelsior “fez parte da sua infância e adolescência, como uma das poucas formas de lazer de muitos outros jovens na cidade, entre meados dos anos 60 e 70.” O pai dele, o professor Vicente Nóbrega, trocava LPs da sua coleção de saxofonistas e clarinetistas por ingressos do “Cinema do Padre” o que permitia ao garoto frequentar mais assiduamente o cinema. A petição, segundo Rubem, foi uma sugestão do professor da UFPB, Paulo Adice.
O Cine Teatro Excelsior foi inaugurado na cidade de Bananeiras, no dia 8 de outubro de 1948, pertencente ao patrimônio da Matriz de N. Senhora do Livramento e à Sociedade São Vicente de Paulo, da mesma Matriz de Bananeiras. Pelo que ficou estabelecido e aprovado em ata, pelos confrades vicentinos e da Sociedade pelo Patrimônio da Matriz de Bananeiras entraram com uma parte das despesas, com a condição dos lucros serem divididos em partes iguais, segundo consta no Livro do Tombo do padre Zé Diniz.
O Cine Excelsior localizava-se na praça central de Bananeiras, de frente ao coreto construído sobre o canal que corta a cidade. O então monsenhor José Diniz acumulava as funções de proprietário e de censor. O operador era um rapaz alto, magro, muito querido pela população local, que carinhosamente o chamava ora de Zé Friso, ora de Zé do Padre”, segundo registros do Inventário Pedagógico de Bananeiras de 2021 da Universidade Federal da Paraíba. A sala funcionava na bitola 16mm até ser modernizada com dois projetores e sonorização Velo-Cine, nos anos 1960.
A programação do Excelsior era mais religiosa, exibindo filmes variados, principalmente relacionados a episódios religiosos, a exemplo da Paixão de Cristo na Semana Santa, e o nascimento de Jesus no mês de dezembro, reforçando o espírito devocionário do mês seguinte, com a tradicional Festa de Reis. Os filmes passavam simultaneamente em Solânea e Bananeiras e para que isso acontecesse havia um menino responsável para levar e buscar os rolos de filme
O Cine Excelsior funcionou até 1986. Atualmente o prédio do cine Excelsior ainda existe depois de uma reforma a fachada foi modificada e o nome foi retirado. Internamente não existem mais as cadeiras, ficando do formato original o único e pequeno palco central. A sala funcionou até recentemente como clube de apoio aos encontros dos escoteiros da cidade. A arquiteta potiguar Cypriana Pinheiro doou um projeto de restauração para o cinema. Já é tempo, portanto do glorioso Cine Teatro Excelsior voltar aos seus temos áureos de templo dos sonhos e fantasias dos moradores e turistas de Bananeiras.







