CRM PB promve nesta terça o evento “Segurança no Exercício da Medicina”
A cada duas horas, um profissional de saúde sofre algum tipo de violência em seu local de trabalho. São 12 agressões diárias a profisisonais de saúde, em seu ambiente de trabalho, conforme levantamento feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).
Na Paraíba, pesquisas realizadas pelo Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) e pelo Sindicato dos Médicos da Paraíba (Simed-PB) também revelam números alarmantes.
A pesquisa do CRM-PB ouviu 611 médicos, em 2025, sobre sua saúde mental e foi mostrado também que estes profissionais são vítimas de violência em ambientes de trabalho. Conforme o estudo, 80,4% (493 médicos) disseram já ter sofrido violência verbal enquanto exerciam seu trabalho. Os dados mostram ainda: 9,5% (58 médicos) sofreram violência física, 62,2% (381 médicos) sofreram violência moral, 5,2% (32 médicos) sofreram violência sexual e 37,2% (228 médicos) passaram por situação de discriminação.
Já o levantamento do Simed-PB, realizado em setembro de 2025, revelou que 90% dos médicos pediatras que trabalham nas quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de João Pessoa disseram sentir-se inseguros em seus ambientes de trabalho.
Para discutir soluções, ações e iniciativas que mudem esta realidade, o CFM realizará, em parceria com o CRM-PB, na próxima terça-feira,10, das 8h30 às 12h, em João Pessoa, o evento “Segurança no Exercício da Medicina”, com a presença de diretores do CFM, do CRM-PB, da prefeitura de João Pessoa e do Governo do Estado, além de médicos e representantes das entidades médicas.
O evento discutirá a Resolução CFM 2.444/25, publicada no Diário Oficial em setembro do ano passado, mas que entra em vigor no próximo mês de março, e que estabelece medidas de segurança para situações de violência em unidades de saúde, como controle de acesso, videomonitoramento em áreas comuns, instalação de botão de pânico, dentre outras iniciativas. A Resolução também obriga o diretor técnico a notificar agressões sofridas por médicos ao CRM, à autoridade policial e ao Ministério Público.
O presidente do CRM-PB, Bruno Leandro de Souza, ressalta que os profissionais de saúde não devem ser responsabilizados pelas falhas do sistema de saúde. “Quando a violência chega ao médico, ela já atingiu outros trabalhadores da área, como maqueiros, recepcionistas, técnicos de enfermagem. A violência contra qualquer pessoa é inadmissível. A população precisa apoiar o seu médico, fazer dele um aliado e não responsabilizá-lo pelas falhas no atendimento”, afirmou.
“A dignidade do exercício do médico deve ser resguardada como de interesse público. É inadmissível que profissionais dedicados à preservação da saúde e da vida humana atuem sob ameaça constante, sem qualquer garantia de proteção ou amparo institucional. A Resolução CFM 2.444/25 é um marco ético e normativo necessário, com o foco de restaurar o mínimo de segurança e respeito à missão médica”, afirma o relator da Resolução e conselheiro federal pelo Rio de Janeiro, Raphael Câmara Medeiros Parente.
Segurança no Exercício da Medicina
10/02/2026 – terça-feira
8h30 às 12h
Sede do CRM-PB em João Pessoa (Av. Dom Pedro II, 1335, Torre)







