Os bairros do Castelo Branco, Valentina, Geisel, Costa e Silva terão outros nomes?
A Promotoria de Justiça de João Pessoa entregou ofício a Câmara de Vereadores e a Prefeitura de João Pessoa solicitando informações sobre as medidas que estão sendo tomadas para a mudança de nomes em ruas e prédios públicos da Capital que fazem homenagem a pessoas que tiveram, comprovadamente, envolvimento com violações aos direitos humanos durante a ditadura militar.
O objetivo é cumprir uma recomendação da Comissão Nacional da Verdade e da Comissão Estadual da Verdade e da Preservação da Memória do Estado da Paraíba. O tema já virou polêmica. Alguns acham que o correto seria retirar o nome dessas pessoas que violaram as leis e os direitos humanos e, outros, acham que retirar esses nomes seria apagar uma parte da história.
Diversas ruas e bairros de João Pessoa fazem homenagens a ditadores de 1964, entre eles, o bairro Castelo Branco, ele que foi o primeiro presidente do Brasil e ditador após o golpe de 1964 e, também, criador do SNI – Sistema Nacional de Informações; o bairro de Costa e Silva, que foi o ditador responsável pelo Ato Institucional número 5, o AI-5, um dos mais violentos decretos do período; o bairro do Geisel, outro ditador, e Valentina, outro bairro da Capital que faz homenagem a mãe do general Figueiredo.
O historiador e professor da UFPB, Lúcio Flávio Vasconcelos, é a favor das mudanças. “Eu acho que não há justificativa para manter esses nomes nos nossos logradouros, avenidas e bairros. Esses ocuparam o poder de maneira arbitrária e não contribuíram em nada para a cidade. Deve-se modificar e colocar nomes de pessoas que contribuíram para o desenvolvimento de João Pessoa, colocar nomes de educadores, de artistas, pessoas relevantes para a nossa história. Sou contra também colocar nomes de políticos, sejam eles de direita ou de esquerda”.
Já o presidente da Academia Paraibana de Letras, escritor Ramalho Leite defende que a mudança não deve acontecer. Para ele a medida vai apagar a história. “Em princípio, sou contra a retirada de qualquer homenagem do tipo. Trata- se de registro histórico. História boa ou ruim, não se apaga. O costume de se pagar o benefício com uma homenagem ao autor ou seu familiar é que deveria ser expurgado. Mas, estando feito, considero intocável. E por que só os ditadores de 64? E Getúlio Vargas que, através de Felinto Muller, patrocinou as maiores atrocidades contra adversários do Estado Novo?”
O presidente da APL arremata: “Sou contra a mudança. Tem coisa mais importante para ocupar o tempo do MP. Deixem lá o Costa e Silva. A lembrança do seu do seu nome serve pelo menos para registrar as maldades cometidas pelo AI-5 e evitar que, conhecendo- as, venham a se repetir. Para isso serve a história” (Texto: Rosa Aguiar)







