Há seis meses se dedicam a restauração da nave da Igreja Matriz de Areia

O restaurador é um profissional que tem a missão de recuperar um bem cultural que precisa ser protegido devido a seu valor para a comunidade. Na Paraíba, estado com muitos monumentos antigos e tombados tanto pelo Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional quanto pelo Iphaep – Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Paraibano, esse profissional é imprescindível.

Os restauradores Piedade Farias, Gláucio Figueiredo, Joseilton da Silva e Thiago Júlio de Oliveira formam a equipe que irá devolver, totalmente recuperada, a nave da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Areia, no brejo paraibano. Esse trabalho vai demandar seis meses e já está no final. O grupo de especialistas atua junto durante restaurações por monumentos pela Paraíba devido ao pequeno número de profissionais qualificados. Piedade Farias é restauradora cedida pelo Iphaep, Gláucio Figueiredo, Josenilton da Silva e Thiago Oliveira atualmente são independentes. Junto a eles no trabalho na Igreja Matriz de Areia estão ainda dez alunos aprendizes de Restauração de Bens Culturais Móveis e Integrados do Programa de Educação Patrimonial do Iphan.  

Piedade Farias ressalta que a restauração de um bem deve ser feita por um restaurador capacitado. “Até mesmo o autor da obra, muitas vezes chamado para recuperar um quadro ou escultura dele, não tem o conhecimento e as técnicas necessárias” O trabalho de restauração, além de devolver aspectos da obra perdidos com o tempo, utiliza técnicas e produtos de conservação, prevenção e durabilidade. Gláucio Figueiredo, que está coordenando a restauração na igreja em Areia, destaca a formação do grupo. “Todos nós temos formação em restauro, eu, na Fundação Joaquim Nabuco. Alguns de nós já trabalhamos juntos há mais de quarenta anos”.

Os restauradores paraibanos que se dedicam em recuperar o patrimônio da Paraíba

O trabalho – A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição começou a ser construída em 1813 e recebeu muitas ampliações. O trabalho de restauração atua no forro do teto formado por um painel de três grande pinturas sacras com centro e trinta metros quadrados ao todo, feito em pelo casal de pintores húngaros refugiados Eva e Américo Makk, em 1959, contratados pelo governador Pedro Gondim. “Houve um dano muito grande porque a obra foi feita em eucatex e sofreu com infiltração e ação de cupins. Tivemos que criar uma técnica para retirar os painéis sem danificar e foi feito um trabalho de reestruturação  para recuperar tudo” afirma Gláucio.

A representante do Iphan em Areia, arquiteta Natália Azevedo ressalta a importância da restauração. “Esse painel aqui na igreja de Areia tem muita importância para a cidade. É dividido em três partes, a na medianeira, que é o auto da compadecida, aparecem pessoas da cidade, o pároco da época foi representado, uma mãe, crianças negras, um homem de chapéu. A restauração foi um apelo da comunidade”. Representantes da Igreja, pároco Monsenhor José Nicodemos e o Vigário Padre Felipe Xavier também foram fundamentais para a restauração. O restauro deverá ser finalizado em julho ou agosto deste ano. Natália Azevedo também informou que a pintura interna da Igreja Matriz de Areia vai passar por uma mudança de cor para valorizar o painel de pinturas recuperado no teto. Técnicos do Iphan já está fazendo um estudo cromático. A Construtora Civil Industrial Ltda, que venceu a licitação aberta pelo Iphan, é a responsável pela obra. (Texto e fotos:Rosa Aguiar)

Jovens aprendizes de restauração do Programa do Iphan: Andressa Costa e Beatriz Cavalcanti