Ela defende as feiras livres, o produto local e fala da Rota Gastronômica do Brejo.

Gastronomia é turismo também e por isso é tão importante a valorização de toda a cadeia que promove a gastronomia paraibana, desde a produção até a venda nos mercados. Para a chef Eliane Régis as feiras livres deveriam ser um espaço de valorização da nossa culinária e ser um ponto de visitação turística. Ela também fala sobre a importância da utilização de ingredientes regionais e da participação na elaboração da Rota Gastronômica do Brejo. Acompanhe a segunda parte desse bate papo incrível com o portal Mais Turismo e Cultura.

– Os mercados públicos e feiras são muito turísticos em todos os lugares, mas aqui na Paraíba eles não são cuidados. Percebe isso?

. A feira de Campina Grande é tombada como Patrimônio Cultural, mas está em condições horríveis, um local onde a gente respira cultura, história, poesia. Como eu posso levar turistas para uma feira que não tem como receber ninguém? Poderia ter uma praça, onde pudéssemos provar um caldo de mocotó, uma favada, saber da história da feira. Fico muito triste porque quando as pessoas de fora vem na feira ficam decepcionadas. Os feirantes pedem socorro. É preciso olhar por eles e por nós porque a feira tem tudo para ser um belíssimo e rico cartão de visitas.

– Você recebe apoio para representar a Paraíba nos eventos nacionais de gastronomia?

. Eu moro em Campina Grande e nunca consigo apoio de passagem aérea,  hospedagem,  para representar a Paraíba e, às vezes, deixo de participar. Mesmo embaixadora da gastronomia da Paraíba sinto falta de apoio. Envio solicitação, comprovantes dos convites e eventos, mas nunca tenho apoio.

– Você esteve em alguns município do brejo realizando oficinas para formatar a Rota Gastronômica do Brejo. Me fala mais sobre esse projeto.

–  A minha participação na Rede de Agentes de Roteiros Turísticos, um programa piloto do Sebrae Nacional criado pela LAB Turismo, que foi aplicado em 19 estados da federação por meio do Sebrae das UFs se deu a convite da jornalista e consultora de turismo, Alessandra Lontra. A empresa dela, a Ale Lontra Comunicação, Turismo e Consultoria foi contratada para atuar na consultoria e formatar a Rota Gastronômica do Brejo. A consultoria foi realizada nos quatro municípios escolhidos pelo Sebrae (PB): Bananeiras, Solânea, Areia e Pilões, com a colaboração do Fórum Regional de Turismo Sustentável do Brejo, utilizando a produção associada ao turismo, a economia criativa, a cultura do lugar, tornando a Rota Gastronômica uma oferta turística diferenciada e criativa.

– Quais foram os desafios ?

– Um dos desafios da rota foi utilizar a Economia Criativa na gastronomia. Como a Alessandra Lontra já havia contribuído para o Programa Nacional de Turismo Gastronômico do Ministério do Turismo, ela trouxe o conceito do souvenir gastronômico para dentro da Rota Gastronômica do Brejo. No Turismo, uma das formas de se observar a Economia Criativa é por meio da produção do souvenir gastronômico. Esse produto, quando fabricado no local ao qual faz referência, tem a capacidade de transmitir a cultura do seu entorno para o turista. Com isso, essa produção será agregada à criatividade do seu produtor aliada às características culturais da região. Isso auxilia na valorização e preservação do saber-fazer desse povo. Sendo assim, incentivamos os participantes da Rota Gastronômica do Brejo a criarem um produto ou um prato que irá compor um catálogo que servirá como um souvenir gastronômico, que é uma das formas de valorização, preservação e promoção da cultura local por meio do resgate de receitas e métodos de produção artesanal.

. Existe uma riqueza de produtos nativos pouco utilizados e que você defende muito…

– Como eu trabalho com ingredientes nativos do bioma brasileiro, a partir desse conceito, numa visita técnica ao município de Areia, identifiquei que havia muitos pés de jatobás ao longo da PB 079, estrada que dá acesso a Comunidade Rural Chã de Jardim. Sugeri fazer uma oficina de beneficiamento da farinha de jatobá para todos os interessados. A oficina despertou o interesse dos bares e restaurantes e os cozinheiros e chefs foram criando pratos a partir da farinha de jatobá, além de utilizar a própria farinha que se tornou um produto que está sendo comercializado em Areia, Bananeiras e João Pessoa. Como resultado final da Rota Gastronômica do Brejo, incentivamos os donos de bares e restaurantes a utilizarem os produtos locais paraibanos, a criação de pratos criativos e resgatamos algumas receitas afetivas.

. Foi criado um  “Catálogo de Comidas Afetivas e Criativas”.  Como é?

– No Catálogo, além das receitas utilizando ingredientes paraibanos , também será disponibilizado o contato dos produtores locais, o tipo de produto que eles oferecem e o contato dos guias de turismo e dos condutores locais. O Catálogo da Rota Gastronômica do Brejo será distribuído, de forma online, para as principais operadoras e agências de turismo da Paraíba e do Brasil e, com isso, pretendemos atrair turistas que buscam destinos com boa gastronomia e assim, aumentar a competitividade do Destino Brejo por meio da Rota Gastronômica. Foto: Ananias