Prender não é a solução

18 de maio é o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, um alerta para reflexão sobre os serviços de acolhimento para as pessoas que estão em sofrimento mental. De acordo com a psicóloga da Clínica Escola e professora da Faculdade FPB, Lanna Elias, essa data é importante porque representa um avanço para todas as pessoas que estão em sofrimento psíquico por causa de transtornos mentais. “Temos um marco que é o fim dos ‘manicômios’, dos ‘sanatórios’ e a realização de um tratamento mais individualizado e humanizado. Essa data lembra do processo de cuidado que começou a ser realizado nos centros de atenção psicossociais, mantendo as portas abertas, sem precisar prender o indivíduo em um ambiente”. 

Para a psicóloga é totalmente possível realizar os cuidados em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPs), onde o paciente pode ter acesso a um tratamento com uma equipe multidisciplinar, com a presença de psicólogos, psiquiatras, enfermeiros, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais. Juntos, esses profissionais interagem para garantir um acolhimento na política nacional de humanização, que considerada aspectos importantes como  respeito,  dignidade e o fortalecimento da rede de apoio familiar. 

“A psicologia atua nesta luta todos os anos, desde antes da reforma psiquiátrica brasileira, que possui pouco mais de 20 anos. A importância da atuação e do fortalecimento desse debate possibilita a ampliação do acesso das pessoas aos equipamentos que fortalecem os direitos humanos e enriquece o ensino e a pesquisa na construção e acompanhamento de novos profissionais, aptos a oferecer um cuidado integral e que respeite a dignidade das pessoas. Prender nunca é e nunca foi a solução para o adoecimento mental”, explica. 

A psicóloga ainda destaca que a melhor forma de cuidar e acolher as pessoas é respeitando a sua liberdade, autonomia e direitos humanos. Além disso, promover acessos a equipamentos de saúde que fortalecem estes pilares são pontos essenciais durante o processo. Os CAPs oferecem atendimentos em diversas perspectivas de atuação, como infância e adolescência, para usuários de substâncias psicoativas e para pessoas com transtornos psiquiátricos mais graves. 

“Já existem muitos avanços, principalmente, com o fortalecimento da ideia de que prender não é uma questão em pauta, é totalmente uma violação de direitos. Temos casas de acolhimento vinculadas aos equipamentos socioassistenciais, em conexão com a saúde mental. Além disso, existe um avanço na oferta de atendimentos em modalidades de grupos, atendimento individual, acesso a unidades de acolhimento em 12h e em 24h para fornecer um espaço de cuidado fortalecido e alinhado com o Projeto Terapêutico Singular dos usuários do sistema de saúde. Bem como atendimentos em família para fortalecer a rede de apoio e possibilitar ampliações de cuidado”, finaliza.