Coletiva de imprensa da PF divulgou confissão dos irmãos

Uma coletiva de imprensa realizada em Manaus, na noite desta quarta-feira, 15, convocada pela Polícia Federal, divulgou que o indigenista Bruno Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips foram assassinados a tiros e tiveram os corpos queimados e esquartejados. Segundo a PF, os presos Amarildo Oliveira, o Pelado, seria o autor dos disparos e o irmão, Oseney de Oliveira, o Do Santos, junto com ele, responsável por esquartejar o corpo e enterrar em local de difícil acesso. Ainda existe a suspeita de que mais pessoas possam estar envolvidas.

Restos humanos foram encontrados na floresta nas buscas da PF, guiados pelos envolvidos, e estão sendo periciados para uma confirmação de que são de Bruno e Dom. No domingo, 12, foram encontradas as mochilas pertencentes a dupla, que desapareceu no dia 5 de junho.

Na coletiva, o superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Eduardo Alexandre Fontes, disse que os “remanescentes humanos” foram encontrados a 3 km de distância de onde estavam os pertences dos dois. A embarcação onde Bruno e Dom viajavam foi afundada pelos criminosos.

Bruno Pereira foi exonerado do cargo de coordenador do setor de Índios Isolados da Funai no ano passado e se licenciou, indo trabalhar na fiscalização da floresta e denunciando atividades ilegais no Vale do Javari, para a Associação Univaja. Ele estava realizando trabalho de fiscalização e denúncia e também acompanhando o jornalista inglês Dom Phillips em visitas as comunidades de moradores e indígenas para um livro que o jornalista estava escrevendo, sobre a Amazônia.  Naquele dia, Bruno Pereira tinha intenção de levar para a PF provas de crimes praticados por pescadores ilegais, possivelmente financiados pelo narcotráfico, dentro da terra indígena Vale do Javari, que vem sendo constantemente invadida.

As investigações analisam que o assassinato foi em represália às denúncias de que os ribeirinhos estavam invadindo o Vale do Javari, no Amazonas, para pescar ilegalmente pirarucu e tracajás, e enviar para a Colômbia. Tracajás são pequenas tartarugas que são consumidas, cuja pesca é proibida para fins comerciais, assim como o peixe pirarucu. Um pescador da área afirmou que pescava cerca de 70 animais por dia.

Conforme o superintendente, as mortes foram por “arma de fogo”. “Ele (Amarildo) alega que foi um embate. A princípio alega que foi disparo de arma de fogo, mas temos que aguardar a perícia realmente para ela dizer, identificar qual foi a causa da morte e as circunstâncias e a motivação aliado ao que nos temos produzido e vamos produzir”, disse o superintendente da PF. (Com informações do site Amazônia Real e redação Foto Avener Prado)