Luto:A Paraíba perde o humorista e publicitário Piancó
Entrevistas

Luto:A Paraíba perde o humorista e publicitário Piancó

Releia entrevista com ele para o jornal A União

Rosa Aguiar Rosa Aguiar
22/03/2020 17:59:05

O Humorista e publicitário premiado Marcelo Piancó faleceu hoje, 22, no Hospital Napoleão Laureano, onde estava internado devido a um câncer de fígado, descoberto em dezembro passado. Antes disso, no final do ano passado, a jornalista Rosa Aguiar fez entrevista com ele para o jornal A União, falando sobre humor, política e Brasil. Estamos publicando novamente a entrevista como homenagem a sua inteligência e criatividade. 

Ele é publicitário premiado, humorista de talento, faz música, poesia. Marcelo Piancó fala sobre o humor no Brasil e diz que não está no momento de fazer rir no país. Está se dedicando a produção publicitária na tradicional Agência Antares. “Nós estamos vivendo uma época fora de ordem. O humor pode ser feito sem agressão. Não entendo a graça de achar uma pessoa feia. A graça vem do inesperado. Se você tem um preconceito, não tem graça nenhuma”.

. Para um humorista está difícil competir com a realidade?
- Sim, competir com a realidade tá difícil porque a gente está vivendo um tempo que não sabe mais o que é tragédia e o que é comédia. Misturou tudo. Acho que estamos vivendo uma espécie de bullying com a Nação. E tem pessoas que conseguem rir disso. Eu acho que quem ri de bullying ou tá fazendo ou está acobertando. Eu acho difícil rir dessa situação que a gente está passando, politicamente. Vemos uma classe que defende as coisas mais pueris e idiotas, e  estão tomando conta, e isso virando a ordem do dia. Estamos vivendo o período mais politicamente incorreto e virou oficial essa coisa de você fazer piada machista, rir do defeito do outro, isso tá em voga no Brasil, e virou quase que lei. Praticamente se você for normal, você é anormal.

. O presidente gosta de fazer piada ...
- Ele se acha engraçado. Ele é aquele garotão da quinta série, o valentão que faz o bullying na escola. Uma metade que ri dessas coisas tem medo dele e a outra metade tem medo de ser zoado. Ele vive essa cultura do capitão, só que do capitão do mato, na realidade, que trouxe todos esses preconceitos a tona. E tem muita gente que não sabíamos que era assim, que acredita nisso, e convivia com a gente e que se revelaram.  É estranho isso, como o discurso de quem tá no poder valida certas coisas que ninguém aceitava. Hoje em dia a gente acha normal muita coisa que tá ai, agressões até da polícia, o discurso dele valida tudo isso.
. Quando o humor vira ofensa?
. No humor sempre tem uma vítima, mas uma vítima que não saia ferida de morte na piada. Uma coisa muito louvável é conseguir rir de si mesmo, por exemplo. Mas tudo tem um limite, até a loucura. Nós estamos vivendo uma época fora de ordem. O humor pode ser feito sem agressão. Não entendo a graça de achar uma pessoa feia. A graça vem do inesperado. Se você tem um preconceito não tem graça nenhuma. O humor é o inesperado, uma frase bem colocada, uma ideia que tenha duplo sentido. Você pode fazer humor sem ferir.

- Como está o humor atualmente?
. O humor mudou muito desde os anos 1970. Hoje em dia o humor tem que ser mais autoral.  A piada hoje não sobrevive mais da repetição, dos bordões. Hoje é a novidade, o stand up comedy, está muito atual, com textos autorais, falando de si próprio e que o público se identifica, isso tá ganhando muito espaço. Até aqui no Nordeste que sempre teve a tradição de personagens, está também incorporando isso no texto. Muita gente surgindo na internet, como Whindersson, Porta dos Fundos... Esses são muito bons, a plataforma deles é de internet, com textos muito inteligentes e uma brilhante atuação, porque são excelentes atores. É um humor mais ferino e mais inteligente.

. Há artistas que não se posicionam. O que acha disso?
- Sou cidadão e sou muito engajado e antes de qualquer coisa, temos que nos posicionar na vida, principalmente quando você sente que aquilo não está fazendo bem a você, a sua família, ao seu Estado e seu país. Quando você vê um artista que diz que é neutro, que não dá opinião política, ele tá do lado errado. Eu trabalho para o Comitê Lula Livre. 

. Você foi premiado pelo Reed Latino Awars, considerado o Oscar da comunicação política com o jingle ‘Rio São Francisco’, vinculado nos programas partidários do PT para rádio e TV. 
- Foi sensacional. Ganhei medalha de ouro na categoria Melhor Videoclip Eleitoral ou Governamental e prata na categoria Melhor Jingle de Campanha Eleitoral. A premiação foi no México, em Cancun, mas não pude ir. Foi um trabalho de letra e música para a chegada das águas do São Francisco na Paraíba. Eu vi essa promessa durante toda a minha infância e desde menino esse tema já mexia comigo através dos cordéis. Foi uma benção de Deus e do São Francisco.

. E o mercado publicitário, como está?
- A publicidade tá migrando para o digital, que é outra linguagem, e as agências estão migrando com muita qualidade. Aqui na Antares estamos produzindo para a televisão e também para as redes, sabendo usar a linguagem e os formatos em cada plataforma. Quem dita o meio é o consumidor. Estamos sentindo que o mercado está difícil, pois e media de anúncio caiu muito. Não vemos o governo federal fazer uma ação para melhorar o mercado. Com o baixo poder de compra tudo fica muito difícil. Não tivemos uma convulsão como no Chile por causa de programas até feitos pela direita, mas aumentados muito depois,  como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida. Quem tem um pouco tem medo de perder esse pouco
 

FONTE: Rosa Aguiar

Rosa Aguiar
Rosa Aguiar
Jornalista
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