Entrevista: Psicólogo Marcos Lacerda
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Entrevista: Psicólogo Marcos Lacerda

Seu canal no Youtube tem mais de meio milhão de inscritos

Rosa Aguiar Rosa Aguiar
18/02/2020 17:45:08

Ele fez graduação e mestrado em Psicologia pela UFPB, é especialista em Psicanálise e, depois de anos atendendo no consultório, resolveu criar o canal no Youtube “Nós da questão” para orientar os internautas sobre relacionamento afetivo. O canal fez tanto sucesso que o psicólogo paraibano Marcos Lacerda já tem mais de meio milhão de pessoas inscritas. Ele foi convidado por uma editora de São Paulo para escrever um livro sobre o tema, que já foi lançado no sudeste do país. “Amar, desamar, amar de novo” deverá ser lançado em João Pessoa no primeiro semestre deste ano.

. Parece que a solidão das pessoas está aumentando, mesmo nessa época de tanta conectividade...
- A solidão sempre existiu. O que acontece é que com a internet as coisas ficam mais a mostra. Antigamente as pessoas procuravam relacionamento pelas cartas, pelo rádio. Hoje em dia é tudo digital, mais rápido, mas hoje se namora a distância também, pela internet. A solidão e o vazio humano sempre existiu. Se não fosse assim, histórias de quatrocentos anos, como a de Romeu e Julieta, não estariam valendo. Agora, neste tempo de tecnologia, tudo fica mais exposto. Esses novos instrumentos tornam mais claras a ferida humana chamada solidão. Todos nós nos sentimos muito carentes É um vazio existencial que nos faz humanos, e que não conseguimos preencher.
. As pessoas estão sempre procurando algo ou alguém para preencher.
- Sim , mas não é encontrado no outro e nem em nada. A gente tem que aprender a conviver com isso. O desejo, por definição é algo que nunca se realiza. Cada vez tem um novo, ele sempre escorrega para outro lugar. A gente tem que aprender a administrar esse vazio. Nós somos os únicos animais que sabemos que estamos vivos e que vamos morrer Isso cria esse vazio que temos que administrar.
. Quais as mudanças de comportamento que o senhor vê com a internet, nas relações pessoais?
- As pessoas estão cada vez mais intolerantes.  Se o outro não for exatamente o que eu espero, eu deleto imediatamente. Vivemos um tempo que a resposta é a não resposta. Isso, acho muito ruim. As pessoas não respondem mais. Não se tem mais nem a cortesia de dizer a verdade. As pessoas estão vivendo num mundo, com a descartabilidade da internet, sem tolerância para suportar o outro, como ele é. Ou você é como eu quero ou eu descarto. É como jogar o sanduíche todo fora porque eu não gosto de alface. Não dá para tirar o alface ou comer com alface mesmo, já que tem outras coisas gostosas?
. Você acha que é uma fase?
- Estamos numa frase de transição na internet. Quando o homem inventou a imprensa, levou um tempo para organizar isso, se usou a imprensa perversamente. A internet a gente ainda não sabe usar e ainda estão criando leis. Estamos numa transição.
Muita gente diz que as redes sociais são uma farsa. O que acha?
. O conceito de privacidade mudou, não é mais como antes. Você precisa ver muito bem quais as marcas que vai deixar, principalmente,  com o que posta nas redes sociais. Se você quer que seja privado, não deve dizer. Muita gente diz que as redes sociais são uma farsa, às vezes tem um casamento infeliz e posta fotos de felicidade do casal.  Mas é preciso saber que o que aparece nas redes sociais é um recorte da vida de alguém. Não é a pessoa, nem a vida dela toda. E se alguém curte ou descurte, não é a mim, e sim a um recorte. É como um porta retratos na casa de alguém. São os melhores momentos. Não vou postar um café da manhã apenas com bolacha e café, e isso não quer dizer que não exista. Se eu sou muito curtido nas redes sociais é apenas um aspecto da minha vida. As pessoas me amam na internet, mas isso não quer dizer que eu seja amado fora dela. 
. Como surgiu a ideia do canal no Youtube?
- Eu queria democratizar a psicologia, que é cara e nem todo mundo tem acesso. Sem fazer psicoterapia, claro. O Estado pagou para eu estudar, me formar, me especializar, fui para fora do país, e eu devolvo como isso para a população Então achei a internet um bom caminho. Aí comecei a compartilhar conteúdo para que as pessoas tenham ferramentas para reorganizar as próprias vidas e seus afetos. Tenho mais de seiscentos mil seguidores e vídeos com quase dois milhões de visualizações. Não cobro, e já recebi diversas propostas, mas não quero. É uma devolução que eu estou fazendo.
. Fala sobre o livro.
- A Editora VR através do selo latitude me convidou para escrever o livro “Amar, desamar, amar de novo”. O livro trata de amar, em todas as suas formas. Fala de encontrar-se com si mesmo. As pessoas me perguntam muito “O que eu faço” E eu digo no livro que ninguém deve permitir que alguém lhe diga o que fazer. É uma construção, a resposta. O livro foi feito sem fórmulas, mas trago muitos casos de consultório que as pessoas podem entender. A gente não vive sem amor. Foi lançado em novembro no Rio de Janeiro, São Paulo e Recife. A aceitação foi muito legal. Tive a oportunidade de conhecer algumas pessoas que me seguem no canal. Os lançamentos tem palestras, abro para perguntas e depois os autógrafos. Está sendo mais um instrumento de devolução social, as pessoas precisam ter acesso a informação, sem ter que pagar caro por isso. Vivemos num país muito carente.

FONTE: Rosa Aguiar

Rosa Aguiar
Rosa Aguiar
Jornalista
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